O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno. Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico. O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus. O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista. A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades. Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos. A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana. E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo. O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.
meu amigo beto salatini publica os "filmes que não fiz, mas adoraria ter feito"... eu, sendo bem sincera, crio a minha seção "inveja" ou "puta que pariu, por que não fiz isso antes?"
eu não consigo me lembrar dos nomes das ruas da cidade onde nasci. onde nasci e morei até os 19 anos. onde meus pais e meu irmãos moram. eu não lembro o nome das ruas e não lembro os caminhos. preciso me esforçar pra me lembrar dos caminhos. passei horas outro dia tentando lembrar qual era a rua sete de setembro. aí me lembrei que a rua do clube que frequentei durante toda a adolescência. mais, o clube onde foi a festa do meu casamento, há 11 anos. eu quis tanto esquecer tudo sobre minha cidade natal e consegui. agora me angustia esse esquecimento. como se tivesse apagado deliberadamente parte da minha história. e quero resgatar. entretanto, o simples pensamento de enfrentar a castelo branco me dá dor de barriga. entretanto, minha garganta fecha cada vez que pego o carro e penso em ir pra lá.
tenho um grande amigo protuguês que odiava portugal e os portugueses. esse amigo me escreveu na semana passada. estava em lisboa e partiria para o algarve. falava sobre essa reconciliação com portugal. é a idade, não?
e eu fico pensando: desço a rua são bento, tem uma curva depois da praça e a rua vira quinze de novembro, passo em frente a casa da minha avó, passo pelo largo do canhão, onde ia ver o bicho preguiça com meu avô. aí, atravesso a ponte (tem nome a ponte?) e o caminho se divide... e aí... pra que lado é o zoológico? google, me ajuda!
Ela não fazia muita coisa. Trabalhava o mínimo possível pra pagar as contas. As contas urgentes, as outras, ela simplesmente não pagava. Seguia o mundo pelo Twitter. Seguia a vida dos amigos pelo Facebook. Não gostava de nada. Não se interessava por nada. Seu humor variava conforme o status dele no MSN. Se ele estava “disponível” , ela ouvia todas as música que sabia que ele gostava. É claro que o Windows Media Player dela estava linkado na LastFM e no próprio MSN. Assim, ele poderia, sem querer, tomar conhecimento do que ela ouvia e perceber, finalmente, que eles foram feitos um pro outro. A LastFM já tinha percebido, dizia lá que o grau de compatibilidade entre os dois era muito alto, mas ela ainda trabalhava nisso, achava que dava pra aumentar, que deveria ter algo como grau de compatibilidade total e, que se isso fosse atingido, um mensageiro da LastFM iria até a casa dele, o trabalho dele, algo assim e, avisaria formalmente que os dois eram obrigados a viver juntos para sempre. Quando ele aparecia “offline” no MSN, a vida dela perdia o sentido. Qual a razão de fazer qualquer coisa se você não está sendo monitorado? Mandava recados para ele no Twitter e se sujeitava até mesmo ao Orkut, só pra saber o que ele andava fazendo. Checava o Delicious dele várias vezes ao dia. Olhava tudo o que ele linkava e tomava conhecimento das viagens que ele planejava, dos restaurantes que ele queria conhecer, do projeto em que ele estava trabalhando. Graças ao Flickr, sabia a aparência dele e sabia a cara de quem ele beijava ultimamente. Ela queria que ele soubesse que ela sabia, mas se ele soubesse, talvez ela fosse deletada também de sua vida virtual, já que, da vida real, ele já a deletou há muito tempo.
CARTA ABERTA AOS ARTISTAS DE VERDADE OU OS OPERÁRIOS DA CATEDRAL
Se você tem certeza que é um artista de verdade, que sua razão de ser é a Arte, que sem a Arte você morreria, leia isso: É um chamado, uma convocação. Pouca gente sabe o que é a Arte. E, no poder, quase ninguém. Por isso acontecem absurdos como essa badaladíssima discussão. Juca Ferreira versus Lei Rouanet. E a coisa da OS (Organizações Sociais). São movimentos atuais que em resumo consistem em entregar o dinheiro disponível para a Cultura, através de várias Leis e processos, para o Governo. Aumentar o Poder do Governo, confiando em seus critérios para julgar. De que modo deve ser usado o dinheiro público (isenção de impostos ou outras coisas).. É claro que os destinos do cinema e teatro brasileiros não devem continuar sendo regidos por diretores de departamentos de marketing (embora eles tenham se comportado, até hoje, razoavelmente bem). Como este ponto é indubitável, J Ferreira ganha sempre as discussões, posto que está com a razão. O dinheiro público deve ter a tutela do governo, para que possa ser aplicado no bem comum. E nesse tipo de teoria, perdemo-nos todos em reuniões infindavelmente monótonas e vazias de conteúdo. Claro que o dinheiro da Arte e da Cultura deve ser comandado pelo Governo. A propósito, deve ser dito que já é. Posto que os maiores patrocinadores são estatais (Petrobrás e outras). Não é importante saber se o dinheiro fica com o Juca Ferreira ou com a Petrobrás. O importante é saber o que eles vão fazer com isso. E eis que chega a pergunta que ninguém faz, por falta de coragem: - Que tipo de filme ou peça o ministro JF acha que deve ser produzido? Quem vai levar o dinheiro? É isso que interessa. O ministro imediatamente argumentará que essa decisão não é dele, e sim das comissões que constituirá. Será uma inverdade quando ele disser isso. Perigosa inverdade. As comissões são controladas por quem as nomeia. Sendo sempre altamente manipuláveis. De modo que é preciso saber qual é o gosto pessoal do Juca. Que concepção ele tem da Arte e da Cultura. Observemos que começa aqui a fatal confusão. A Arte faz parte da Cultura, mas não é a Cultura. É maior e mais importante que a Cultura, ou pelo menos pertence a outro departamento. Cultura é Educação. É uma coisa que se preocupa, que aprende, que bebe na fonte do passado. A Arte é a locomotiva da Cultura. É o arauto que anuncia o futuro. A Arte diz respeito àquilo que não existia ainda, e está sendo criado. A Arte defende a humanidade. Quando escrevo essas palavras estranhas, pressinto a incompreensão. São transcendentes, confesso. A Arte é transcendente. É a mais forte arma de comunicação, recurso didático para tornar os homens civilizados. A Arte ensina aos homens seus maiores valores. O amor, a dignidade, a honra, o patriotismo, a cidadania, a solidariedade. Por causa deste nobre alcance, a Arte jamais é citada em debates públicos. A massa burguesa da maioria encarregou-se nos últimos séculos a desmoralizar a palavra Arte. Segundo estes tolos, a Arte é uma coisa desnecessária, fútil, em geral exercida por gente que não gosta de trabalhar. Quando, na verdade, a Arte é o único trabalho verdadeiro. Se você não entende essas palavras ou se elas irritam, pare de ler esse artigo já. Ele não é pra você. Você pode ser um bom sujeito e até um pensador lúcido, mas não é um artista. Juca Ferreira é um homem forte. De um carisma notável, eloqüência, e, por que não dizê-lo, simpatia irresistível. É preciso saber de um homem desses o que ele entende por Arte. Repito. Que filmes e peças deveriam ser feitos com o dinheiro público, segundo a opinião pessoal dele? Para exigir a resposta dessa pergunta, convoco meus pares, os artistas, a repercutir esse artigo. Faz anos que preconizo a existência de um Ministério da Arte. Todos tem medo de mim e preferem me achar ridículo, pensar que estou brincando. Não estou. Penso que a Arte é o que sustenta a Cultura, o que a leva para frente. Não existiria o cinema e o teatro brasileiro sem Glauber Rocha e Nelson Rodrigues. É o artista que tem que ser protegido pelos governos. Não pensem que puxo a sardinha. Os bons artistas, como eu e muitos, sobreviverão de qualquer jeito. Com Ministério ou sem, não importa as reuniões de Juca Ferreira. É a Arte que vai abrir os mercados internacionais. É a Arte que nos dará o respeito do público. A Arte é o retrato do país. Um país pobre como o nosso não pode gastar dinheiro público com filmes e peças ruins. Somente devem ser feitos peças e filmes bons! E quem vai decidir o que é bom ou ruim, pergunta o leigo incauto. Ele responde: Isto não pode ser posto em Lei, é subjetivo. Engano fatal. O único que pode julgar a arte é o artista. E não é difícil reconhecer um artista, a primeira vista. É aquele que ama realmente a humanidade e constrói uma obra sobre esse amor. Atualmente, a palavra “diversidade” sacralizou-se. Quem duvidar disso, morre. Concordo com a diversidade. Mas ela está abaixo do critério da Arte. Todas as comissões propostas são mistas: minoria dos artistas, maioria de burocratas ou técnicos interessados no assunto ou no prestígio. Isto está errado. Os verdadeiros artistas devem ter a maioria de qualquer comissão, porque somente eles entendem o que é a Arte. É pretensão de outros querer julgar a atividade artística. Enfim, as palavras cansam. Sei que somente serei entendido pelos artistas de verdade. Para eles que escrevo e peço que não me deixem sozinho e repercutam, a seu modo, esse meu artigo. Tenho certeza que vocês concordarão, sendo artistas verdadeiros. Na prática, confesso que sou a favor do Juca e das OSs. Um homem deve lutar pela Lei correta. E depois lutar, mais agressivamente ainda, contra aqueles que aplicam mal a Lei. Essa é uma briga que vem depois. Apesar de que eu, artista, não tenho tempo pra isso. Minha obra me espera. Tenho pouco tempo. A eternidade seria pouco... Somente a Arte salva, sem a Arte não há salvação. “Oh, minha alma! Não aspira a vida imortal, porém esgota o campo do possível” (Píndaro) Por favor, repercutam, companheiros.
Com todo respeito ao ministro, e até confiança, Domingos Oliveira.
Era abril ainda. Abril é outono, mas ela sentia como primavera. Abril em Portugal, existe uma música com esse nome? April in Paris. No verão, ela não existia, passava os dias a reclamar do calor, da umidade. No inverno, ela também não existia, reclamava da falta de aquecimento central nas residências brasileiras e falava horas sobre o quanto era legal em Londres, onde via a neve pela janela, mas podia andar de lingerie dentro de casa. “No Brasil a gente passa frio o tempo todo...” Era abril. O ano já começara. Janeiro, fevereiro, março e abril que já acabava. Talvez fosse melhor não tentar mais nada este ano. Talvez melhor deixar para o ano que vem, afinal, o primeiro semestre já estava praticamente acabado. Ela não lutava porque não sabia pelo que lutar. Muito menos como. No Twiter tinha lido que operação de guerrilha mesmo, havia sido a revolução cubana, o resto eram publicitários com calças da Daslu e camisetas do Che Guevara. É isso: ela já tinha sido punk de butique, revolucionária de butique e agora era só mais uma niilista de botique. Cursinhos na Casa do Saber. Café na livraria da vila. Barco Virgílio. Escola São Paulo. Filosofia para preencher o vazio que o shopping não mais preenchia. Quantos vanilla lattes diários um ser humano podia consumir? É possível se matar com uma overdose de capuccino? A boca amarga, o café já azedando na boca, o suco gástrico subindo pelo esôfago. Será que a gente morre de tanta cafeína ou vomita tudo antes? Ela odiava vomitar. Preferia a anorexia à bulimia. Não comer. Ser leve ao ponto de não deixar pegadas sobre a neve. Uma frase de uma música do Manic Street Preachers. Não tinha certeza, mas provavelmente letra do integrante que desapareceu já há anos e que, agora, a família admitia ter se suicidado.
Eu tinha 14 anos. Oitava série. Escola Municipal de Primeiro e Segundo Grau “Dr. Getúlio Vargas”. Minha primeira apresentação no Festival de Teatro da escola. No ano anterior minha peça tinha sido censurada, mas isso é outra história. Montagem de “O Pequeno Príncipe”. Concepção e direção da Mazé, professora de Português e Inglês “The book is on the table”. Eu era o pequeno príncipe e isso foi bem antes da Luana Piovani achar que ela é o pequeno príncipe. Não me lembro bem as circunstâncias que levaram à minha escolha pro papel principal. Talvez minha já vasta experiência como a gata dos Saltibancos, a amiga sem nome da “Márcia era uma menina pobre”, algum papel no “Rapto das Cebolinhas” e a já citada peça censurada de minha autoria. Até então eu nunca tinha lido “O Pequeno Príncipe”, eu tinha o livro e sempre li muito, mas não tinha lido, não sei bem por que, acho que preconceito, “livro de miss”, né? Essa coisa de miss ainda era grande na Sorocaba dos anos 80. Eu já era metida a intelectual... sei lá. Bem, eu era o princípe, o Celinho (e seus maravilhosos olhos azuis (ou verdes?), o aviador, a Tânia era a raposa. Gente! Eu não me lembro do elenco todo? Lembro que foram muitos ensaios. Lembro que a Mazé ficava no comando do aparelho de som, era um 3 e 1, e ela apertava com tanta força os botões de play e pausa, aqueles “clicks” sempre acabavam com a minha já pouca concentração. Noite de estréia. Meu figurino era uma calça branca com botas de cavaleiro, camisa branca e uma casaca de lamê (é esse o nome daquele tecido que brilha?) azul com arremates dourados. Deve ter fotos na casa do meu pai. Por que não tem super 8, Vhs? Meu pai sempre registrou tudo... por que será que não a peça? E o cabelo. Meu cabelo ainda era virgem, castanho claro. O príncipe tinha cabelos da cor do sol e minha mãe não deixou que eu descolorisse. Alguém achou um pó meio dourado pra passar no meu cabelo e dar um efeito qualquer. Ficou um desastre. Entramos em cena. “Por favor desenha-me um carneiro?” Logo no início eu dei um tapa na cabeça, tinha algo a ver com minha interpretação, mas não me lembro o que. O tal pó dourado formou uma nuvem dourada, irritando olhos e gargantas do príncipe e do aviador. Acho que não era esse o efeito desejado... “Ax pessoax tem extrelas que são guias...” Foi tudo razoavelmente bem, ao menos na minha memória. Minha mãe na platéia me conta depois de dar os parabéns que uma senhora que estava sentada atrás dela, na hora em que o príncipe morre, cresce, voa... interprete como quiser, falou: “Ainda bem que morreu, a voz dessa menina é insuportável!”. Até hoje não sei porque minha mãe me contou isso.
Lembrei disso lendo a folha hoje. Ano França-Brasil. Isso não foi o final da copa de 1998? Bem, em outubro tem O Pequeno Príncipe na Oca. Tô quase pedindo pra trabalhar na montagem da exposição. Se eu entendo do assunto? Eu fui o Pequeno Príncipe!!!!!
Na verdade, até hoje não sei bem o que acho do Pequeno Príncipe... Acho que, como já em 1983, prefiro o Príncipe Feliz do Oscar Wilde...
Ah... acho que o Pequeno Príncipe tá tentando falar comigo:
‘Ela nunca está em casa quando lhe telefono... À noite também ainda não chegou... Não telefona... Estou muito zangado com ela!’
Ella canta o songbook dos Gershwins e eu sinto pena de mim mesma.
Não, gosto de ter dó de mim.
By the way, dó continua sendo substantivo masculino, não? Ou já foi aceito como feminino?
Eu acho “uma dó” tão feio!
Bem, sinto pena de mim.
A internet não conecta direito.
Ninguém quer saber do meu talento, apenas de meus contatos.
Duvido de meus talentos. Me sinto uma total fraude.
Solidão, paixão, transferência e stalking. Este é o tema do dia.
1 – O cara trabalha como segurança. Passa o dia naquelas salas com monitores. Funcionário terceirizado, prestando serviço em uma grande empresa – sei lá por que, mas imagino o Itaú do metrô conceição. Começa a prestar atenção a uma garota. Ela não é particularmente bonita ou charmosa ou gostosa, mas por um daqueles acasos, ele gosta de segui-la.
Primeiro, se contenta em observar a garota chegando, indo e voltando do almoço e indo embora, depois começa a seguir seus passos pelas várias câmeras. Ela desaparece. Ele abandona sua sala e descobre, através de uma amiga dela, que ela foi transferida de setor. Ele consegue localizar a garota e continua stalking. Consegue acesso aos dados do rh e descobre o endereço da garota. Tenta falar com ela, mas ela se assusta. Tenta de novo e é denunciado. Perde o emprego. Consegue dinheiro emprestado, compra aliança e vai atrás da garota. É desprezado e se desespera. Tenta sequestrar a garota, mas dá tudo errado e ele acaba matando a menina. Congela o corpo em um frigorífero abandonado, mas não consegue viver com a culpa.
2 – Mulher tem dificuldade de se comunicar com o mundo. Trabalha como tradutora, em casa, só fala com as pessoas via emails. Após traduzir um filme romântico envolvendo um policial, conclui que o grande amor da sua vida é da polícia. Começa a inventar ocorrências e ligar para a delegacia local pedindo uma viatura. Após mais de dez ocorrências-fraude, a polícia vai a casa dela e confisca seu celular. Mulher vira a mulher da história 1?
Como a gente preenche o vazio?
Como a gente descobre o que quer?
Como a gente vive?
E por que a gente não desiste?
Por que todo esse apego à consciência?
Por que a esperança supera?
E que esperança é essa?
O que eu estou esperando?
Era tão bom ser criança e esperar a páscoa, esperar o natal, esperar o aniversário, esperar o fim de semana, esperar o horário do programa preferido na tv. Eu não sei o que estou esperando. Invento eventos e, quando eles chegam, descubro que nem queria.
Eu espero você chegar. Você chega e eu não sei o que fazer.
E essa falta de vontade?
Isso é químico? É físico?
Vem do ar ou de conexões defeituosas no meu cérebro?
Tudo o que achava que era certo mostrou-se pouco, ou até mesmo errado.
Eu passei a vida acumulando informações. São quarenta anos de informações...
E eu ainda não descobri o que fazer com tudo isso.
Disciplina – zero.
A verdade é que eu nunca precisei me esforçar pra fazer nada.
A verdade é que eu levo a vida na flauta.
A verdade é que eu espero o mundo acabar em barranco pra morrer encostada.
A verdade é que não sinto vergonha de nada disso.
A verdade é que ainda acho que o mundo gira ao meu redor.
A verdade é que minha culpa é um sintoma do meu egocentrismo.
A verdade é que a única coisa que desprezo em mim é minha incapacidade de fazer o mundo aceitar a minha genialidade.
Hahahaha
Na roça não tem rivotril.
Aqui em casa tem rivotril, lexotan, paroxetina, anafranil, lorax, frontal...
Nada me acalma.
Vou bater um bolo.
Assar o bolo.
Fazer recheio e cobertura.
Escrever seu nome em cima do bolo.
E espero que você coma o bolo porque eu não gosto de bolo.
E se eu correr?
E se eu sair correndo e só para quando desmaiar?
Será que eu paro de pensar?
E se eu achar um emprego besta e burocrático?
Alguma repartição pública pra bater carimbo.
Acho que é muito fácil e eu vou continuar pensando.
Talvez se eu tiver que bater carimbos em ordem alfabética e diferenciando direita e esquerda fique mais complicado pra mim e eu pare de pensar.
Acho que é a história da minha vida: procurar maneiras de parar de pensar.
Desde a escolinha, não?
Eu batia nas outras crianças pra parar de pensar.
Eu brigava com as professoras pra parar de pensar.
Eu esperava o namorado, na porta de casa, com o estilete na mão, pra parar de pensar.
Eu tomo remédio pra parar de pensar.
E eu continuo pensando.
E os pensamentos são rasos e confusos.
Eu não sei o que eu quero.
Nunca soube.
E acho que nunca vou saber.
Eu sinto muito.
Eu acho que sinto muito, mas eu não sei.
Vou reestartar o pc pela décima vez pra ver se consigo me conectar.
Me conectar e ler fofocas, ver colunas sociais, ler blogs inteligentes e imbecis.
Ocupar minha cabeça com qualquer coisa que não seja sentir pena de mim.
COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA Texto: Franz Kafka.Direção: Roberto Alvim.
ELE PRECISA COMEÇAR Texto e interpretação: Felipe Rocha. Direção: Felipe Rocha e Alex Cassal. 70 min. Não
HOMEMÚSICA Texto, direção e interpretação: Michel Melamed. 75 min. Não recomendado para menores de
DOMINGO - VIOLETA DE OUTONO Com seu som marcado por lirismo e psicodelia, o grupo incorpora influências de ingleses dos anos 1970, como Camel, Caravan e Soft Machine, e neste show presta um tributo ao ex-Pink Floyd Syd Barrett. Na Mata Café - r. da Mata, 70, Itaim Bibi, região oeste, tel. 3079-0300. 250 lugares. 20h30. 90 min. Não recomendado para menores de 18 anos. Ingr.: R$ 20. CC: AE, D, M e V. Valet (R$ 15). a d c r m l
OCA - INTEMPÉRIES - O FIM DO TEMPO
Millan - MIRA SCHENDEL
Sesc Pinheiros - REALIDADES IMPRECISAS
Itaú Cultural - Rumos Artes Visuais - Trilhas do Desejo
e lembrando que na terça, dia 17 é st. Patrick's e reabre o CB
não são coisas que eu necessariamente vá fazer, mas são coisas que eu gostaria de fazer:
filmes, peças, exposições, festas, etc
há probabilidade de eu ficar em casa e não fazer nada disso é imensa, mas eu sempre faço minhas listinhas...
Homemúsica
Melamed abre temporada de última parte da trilogia
Sesc Consolação - teatro Sesc Anchieta - r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, tel. 3234-3000. 320 lugares. Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 19h. Até 29/3. Ingr.: R$ 5 a R$ 12. 75 min. Não recomendado para menores de 14 anos.
THOM PAIN - LADY GRAY Texto: Will Eno. Direção:Felipe Hirsch. Com: Guilherme Weber e Fernanda Farah. 80 min. Não recomendado para menores de 14 anos.
Centro Cultural Fiesp - Teatro Sesi Paulista - av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central, tel. 3146-7405. 456 lugares. Sex. a dom.: 20h. Até 8/3. Ingr.: R$ 10. a d
FROST/NIXON Idem. EUA/França/Inglaterra, 2008. Direção: Ron Howard.
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? Slumdog Millionaire. Inglaterra, 2008. Direção: Danny Boyle.
VITUS Idem. Suíça, 2006. Direção: Fredi M. Murer.
3 MACACOS Üç Maymun. Turquia, 2008. Direção:Nuri Bilge Ceylan.
O LEITOR The Reader. Alemanha/EUA, 2008.Direção: Stephen Daldry.
MILK - A VOZ DA IGUALDADE Milk. EUA, 2008.Direção: Gus van Sant.
Matthew Barney
Vídeos experimentais são destaque em mostra
Escola São Paulo - r. Augusta, 2.239, Cerqueira César, região oeste, tel. 3081-0364. Seg. a sex.: 10h às 22h. Sáb.: 10h às 19h. Até 28/3. Livre. Grátis.
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