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se hoje é sábado, amanhã é domingo. depois, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado de novo. e domingo... agora é agosto, semana que vem, setembro, aí outubro, novembro... coisa mais previsível velha written on stone? não dá pra mudar a ordem? os nomes? tô cansada de tudo sempre igual
Escrito por kelly às 01h26 PM
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Na primeira vez que vi Paris era fevereiro e fazia muito frio. Paris me pareceu mais cinza e triste que Londres. A Torre Eiffel, menor e bem menos bonita que nos meus sonhos. Na primeira vez que vi Paris eu tinha 21 anos e muito medo de tudo. Na primeira vez que vi Paris o que mais me encantou foi o desenho do Pequeno Príncipe na nota de 50 francos - era na de 50 mesmo? Na primeira vez que vi Paris, o hotel era longe, dividi o quarto com uma japonesa desconhecida e visitei o Louvre, o d’Orsay e o Rodin em um só dia. Na primeira vez que vi Paris morreu um sonho dentro de mim. Na primeira vez que vi Paris achei tudo muito chato. Que bom que a gente muda, não?
Escrito por kelly às 11h15 AM
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As freiras feias sem DeusLUIZ FELIPE PONDÉ COLUNISTA DA FOLHA O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno. Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico. O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus. O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista. A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades. Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos. A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana. E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo. O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.
Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada
Escrito por kelly às 02h59 PM
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